Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Lua Negra



Tão feita está, a bela
Que já nem mais é o que se diz,
Lua, és de fato tão singela,
Carmim, Cetim, canela...
Lua, tocar-te, quem não quis?

Vi teu corpo, vi teu rosto,
Vi tuas nuances, e teu gosto,
Cada parte do teu ser,
Cada parte do meu viver,
Gritava, e grita pela rua,
Vem, vem e vive... Vem e vive Lua!

E lá fora,
A noite se desenha,
E faz aos homens uma resenha,
Enquanto eles cobrem,
Os próprios filhos que dormem!



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Enfim retornei ao meu palco sem amor...
Tão sem amor estou, tão perdido na minha imensidão, que nada posso dizer-lhes além de desculpas.
Obrigado à todos que fizeram, e fazem desse blog, a minha verdadeira casa!

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Sábado, Setembro 19, 2009

Ella, Eu e Minha Mãe

Mãe dê uma olhada no seu garoto...
Ele agora é um homem apaixonado...
Mama, olhe para seu garoto...
Ele só tem olhos para a pequena do lado...
Mãe, seu filho cresceu,
Mama... Seu filho sou eu...

Mãe olha para mim...
Vê aquela pequena?
Eu a amo tanto...
E quero falar dela para você...

Sabe quando você sorri?
Quando você ri de alegria porque ganhou um presente,
Quando sente a energia fluir,
E seu corpo se alegra intesamente?
Sabe mama?
É assim que ela me faz sentir...
Só ela agora me faz sorrir...

Mama, dê uma olhada para meu rosto...
Eu te amo mama...
E amo tanto aquela pequena...
Mama... Só quero que diga a ela...
Que reforce para ela...
A intensidade que eu uso,
Quando digo para minha pequena...
"Eu te amo!"

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

Disparate
















Quando eu vi, fiz que não,
Se sorri, foi apenas emoção,
Quem nega a ação? Não sorri...
Essa emoção, é só por ti...

Quando eu vi, fiz que não entendia,
Quando sorri, eu realmente não queria,
Quem pensaria, será que já parti?
Quem choraria, será que eu fugi?

Sim, eu fugi, e agora pago,
Corro, vago, e fico aqui,
Aqui, e longe, ao largo...

Sim, eu fugi e esse é o preço,
Isso eu mereço, porque sorri...
Porque sorri eu mereço!

Na Imagem: http://zailda.files.wordpress.com/2009/01/ciumes.jpg

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Sábado, Setembro 05, 2009

Marcas da Raiva


O dia promete, ele sai de casa alegre, bem disposto, preparado para mais um dia de trabalho, dia de pagamento é assim, todo mundo feliz.

Ao sair de casa, já se depara com um pequeno problema, o dinheiro que está em sua conta no banco não vai dar para pagar o aluguel, e para piorar a situação ele compra um narguile, duas garrafinhas de cachaça e uma de Vodka, gastando um dinheiro que não deveria, mas até aí tudo bem.

Em seu trabalho leva uma advertência, por ter se atrasado 16 minutos para retornar do horário de janta, discute com seu encarregado e pede demissão.

Sai do trabalho mais cedo, toma um porre, colocam maconha em seu narguile, e para piorar, a garota que não deveria vê-lo assim, tão desajeitado, o encontra, com sua camiseta do Queen embebida em vômito e ele num estado lastimávbel.

Chega em casa, olha para sua cama, se deita e grita bem baixinho, só para ele mesmo ouvir: Merda de vida!

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Domingo, Agosto 23, 2009

Raul

Fosse como fosse,
A vida te levaria,
Esqueceu-se de nós? Não... Mas foi-se!
Foi-se e deixou a calmaria...

Levantou poeira, fez de tudo,
Travou batalhas, sacudiu o mundo,
Você se foi, mas nada acabou!


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Bem pessoal, muito trabalho, muito estudo, muita coisa acontecendo... Nem sei mais o que farei... Mas tô com vontade de cursar Gastronomia.
Até o final do ano, se eu passar no Vestiba, é isso que vou fazer...

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Domingo, Agosto 02, 2009

Pássaros Negros


Pássaros negros, pássaros negros!
Revoada trevosa, noite horizontal!
Onde está você agora?
Dama do barco, onde estás?
No céu a morte,
Mil espadas dilacerando-me,
E os malditos pássaros negros...

Olhe para Caronte,
Tão solitário em seu vagar,
Encontrei-te em minha morte,
Agora te quero, ó dama,
Dama do barco, dama do bote,
Vem dos pássaros negros me livrar...

Passagem comprada,
Paga com sangue e suor,
E a sua como foi paga? Qual a moeda?
Qual o motivo do teu inferno?
Onde pássaros negros voam ao redor?

Era noite, eu parti,
Encontrei a eternidade, atravessei a ponte,
Paguei os crimes que cometi,
E encontrei o barqueiro, velho Caronte,
Condutor infernal, igual nunca vi,
Transportando duas almas. A mim e a ti,
Levando-nos além da ponte.

Chegando ao destino, meu novo lar,
Você desembarcou, eu fiquei,
Um pouco mais, aguardando o talvez,
Esperando, não só por esperar,
Esperando, dos pássaros negros, o maldito au revoir

Pássaros negros, pássaros negros!
Onis, oyabuns e samurais,
Elfos negros, jotuns,
Vikings ancestrais,
E o maldito barqueiro apressado,
Fazendo chegar teu destino,
Infeliz barqueiro condenado!

Asas batendo,
Pousos desagradáveis,
Que fiz eu? Que estou merecendo?
Cá estou, pagando crimes impagáveis?
Cá estou eu, sofrendo,
Ah, como queria... Voltar a travessia!
Como Eu queria!

Deus meu! Deus meu!
Sei que é tarde, sei que o tempo já se foi,
Mas te peço, não faço alarde,
Clamarei a teu santo nome,
Pela bela dama que não mais vi,
Pela bela dama,
Que neste inferno me fez sorrir!

Caronte! Leves pássaros me chamam!
São os pássaros dos que se amam,
Deixe-me aqui, não quero desembarcar!
Esperarei a dama da travessia,
A mulher que me faz acreditar,
Numa fuga deste inferno algum dia...
E com ela, minha alma vai voar!

Pássaros negros! Pássaros negros!
Estou condenado ao fogo eterno,
Pássaros negros, aves demoníacas,
Recepção perfeita desse meu inferno!

Caronte, fale algo!
Diz-me agora, onde ela foi!
Os pés delicados, o vestido branco,
O amor de quem parou...
Sei que ela te olhava Caronte,
Por Deus! Diz-me o que se passou!
Que caminho ela pegou?
Diz-me e libere-me ó Caronte,
Dessa tua magnitude magistral,
É minha alma gêmea,
Minha solução final,
O amor da minha vida que ali vai,
Deixe-me seguir, a dama divinal!

Pássaros negros... Pássaros negros!
Tua negativa me corroi,
Corta meu corpo, dilacera minha mente,
Desestrutura e destrói,
Desfaz completamente,
E minha dama se vai,
Se perde nesse mar,
Chamas a queimar,
E os malditos pássaros negros...

Não sei mais de nada,
Essas asas farfalham em meu pensar,
Tantas asas, luz duma revoada,
Que eu desisto de tentar.

Caronte, leve-me ao fim,
Torture-me, bata-me,
Faça com que tudo fique menos enfadonho,
Tristeza é abrir mão duma amizade,
Horrível é odiar de verdade,
Heróico é abri mão de um sonho!

Você sorri, sorri... Maldito barqueiro!
Sorri com o meu pesar,
Barqueiro maldito, arauto do inferno!
Maldito senhor, das águas deste lugar,
Mestre das profundezas, peregrino do ermo,
Levou minha vida, e agora leva o meu amor,
Leve tudo, e leve eu mesmo!

E no céu, os pássaros negros,
Os mesmos e malditos pássaros negros!
Pássaros negros, que me fazem amaldiçoar!

Imagem retirada de: http://blig.ig.com.br/juhnath/files/2009/06/corvos1.jpg
Mediante pesqusia no Google Images sob a Tag "Corvos".


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Domingo, Julho 19, 2009

O Canto do Dragão
















Imagem retirada do Google Images

A chama lançada, o brilho da noite...

Seu corpo em festa, aquece-se ímpar,

Labaredas; o choque; cruel é o açoite,

De sua voz, o doce açoite...


Eu a vi no alto de uma colina, o luar banhando o seu corpo, vento soprando, e o som costumeiro das criaturas noturnas a ecoar no ar. Era linda. Maravilhosamente linda.

Seu corpo é esguio, delineado e bem formado, tal e qual as dríades do canto de Yavanna, e eu realmente pensei que contemplava uma autêntca filha das florestas, quando a vi, porém, minha ilusão se acabou ao vê-la cuspindo um imenso jato de chamas azuis em direção ao ar. É... Ela dragonizava.

Não sei dizer quanto tempo fiquei ali sem ser visto. Realmente eu não sei dizer... O certo é que o espetáculo por ela protagonizado era muito belo, e sem dúvida agradaria a qualquer um que o visse, até que ela me viu.


Seu olhar era como o gelo,

O brilho eterno, infinito e forte,

Tanta cor, zelo; Bela sorte

De quem me olhava tão atento.


Ele parecia assustado, mas não sei se era isso que ele sentia, não sei se era medo, se era encantamento, ou se eu o havia hipnotizado sem me dar conta, porque eu sempre fazia isto, sempre hipnotizava-os sem percebê-los, e parecia naquele momento, que ele era mais um dos que se deixavam levar pela beleza das minhas chamas.

Mas não era.

Ele veio caminhando em minha direção, como mago que era, um dos artífices de Ulmo e de Manwë, deixava tudo ao seu redor com sabor de vida, e as plantas desabrochavam suas flores, as criaturas noturnas cessavam sua caçada, as estrelas paravam para olhá-lo e o orvalho brotava dos seus pés.

Eu me senti atraída, atraída por um humano...


Tanto tempo passei a contemplar sua beleza,

Tanta cor presenciei, tanto amor em minha espera,

Passou-se um dia, um ano ou uma era...

Só não sei porque ali fiquei,

Só isso eu não sei.


A filha de Yavanna, que agora parecia-se com uma elfa, perdida em meio à toda aquela imensidão, olhou-me com um ar de interrogação, e eu a apreciei mais de perto. Caminhei até ela e pude sentir que seu corpo vibrava enquanto o meu avançava, talvez por medo, talvez por alegria, ou talvez...

Não, não seria isso, eu não poderia amar uma dragoa, eu não posso me deixar levar pela influência que sua chama exerce sobre mim, não posso me deixar encantar, preciso resistir, mas sei que não vou conseguir, sei que no final eu serei dela, sei que aquelas chamas irão me tragar para seus braços e eu irei obedecê-la, irei fazer o que minha falsa dríade quer... Eu sei que serei dela, e o olhar dela denuncia-me isso.

Estamos face a face.

Sei que por trás desse rosto élfico, encontra-se uma monstruosa criatura, que tem o corpo maior do que qualquer outra coisa que eu possa me transformar, sei que por trás destes olhos amendoados, deste cabelo sedoso, e desse corpo maravilhoso, está um ser que pode matar-me com apenas uma patada, que pode desintegrar-me apenas com a própria respiração, mas eu não sinto medo.

Eu penso em medo, eu sei que devia sentir medo, mas não consigo, o olhar dela me passa esta sensação também.


Ele é bobo,

Ele é bobo, disso tenho certeza,

Faz-se menino, quando já é homem,

Faz-se simples enquanto é soberano,

E em seu rosto, magias se escondem...

Ele é bobo, e não espera que eu veja.


O rosto dele encontra o meu, eu sei que posso exterminá-lo, sei que posso acabar com esta cena em poucos segundos, posso matá-lo de infinitos modos, posso paralizá-lo, posso desintegrá-lo, posso queimá-lo, posso esmagá-lo, posso seduzi-lo... Mas nada disso passa por minha cabeça... Intimamente eu sei de tudo, afinal, é de minha natureza ter o conhecimento absoluto do que se passa ao meu redor. É tão chato saber de tudo.

O mais chato é saber que ainda posso saber de tudo sobre ele... Se eu quiser, é só pensar em saber, é só pensar em ler, e lerei a mente dele... Mas não quero, ele continuará a ser o meu mistério desta noite, ele continuará a empregar toda a energia do meu momento e me fará sonhar, pelo menos por um minuto, pelo menos enquanto eu estiver na minha forma élfica.

Ele começa a esboçar um movimento, parece que pretende algo, talvez pretenda correr, mas não, ele não ousaria correr de mim.

Ele me abraça.

É quente, eu não esperava que um abraço humano pudesse ser quente, tão quente a ponto de ser sentido por alguém da minha espécie... Raramente sentimos algum calor além do nosso próprio, mas dessa vez eu senti, e olha que ele nem tem ligação alguma com o fogo, ele é um mago com um dom glacial, não poderia mexer comigo assim utilizando calor... Talvez isso seja sentimento.

Eu irei agradecê-lo.


Ela gosta de abraços...

Me encaixei bem em seus braços?

Que fiz eu para merecer o que vejo?

Esse corpo imenso, agora é real,

Deixou de ser elfa,

Seu poder é descomunal...


Ela se afasta de mim e assume sua forma original novamente, parece que vai fazer algo, algo que só consegue realizar em sua forma de nascença, e eu aguardo, qualquer coisa, poderei me proteger, afinal, tenho meus meios, sou um mago, sou um artífice de Ulmo e um seguidor de Manwë.

Suas asas batem, seu rabo começa a balançar e ela levanta o pescoço, algo belo está para acontecer, e eu presenciarei isto.


Quando ouvir durante a noite, minha voz,

Faça-se meu durante , antes e após,

E se o corpo meu te assustar,

Não tema, irei me transformar...

Venha durma, e faça o que quiser,

Deixarei-te tocar onde calor houver,

Serei tua e serás meu...

É magnífico o efeito que meu canto produz em quem o observa... Se minhas chamas os deixam hipnotizados, o meu canto então os deixa maravilhados e eles fazem tudo o que quero... Ele será meu, e isso irá acontecer rápido, tão rápido que nem haverá graça quando eu o dominar, no entanto, sei que gostarei de tê-lo, sei que gostarei de acrescentar esse homem à minha coleção.


O momento é único, sensação sem par,

Quero-te tanto, quero-te minha sindar,

Deixa-me ser teu guia, tua emoção,

Pela luz irei te levar,

E no espaço, entoarei tua canção...


Eu olho para ela, não sei dizer mais o que farei a seguir, não consigo imaginar o que serei, o que acontecerá... Só sei que me perco em meio ao seu canto, e deixo todas as sensações me levarem ao êxtase possível e impossível em sua presença.

Seu corpo assume a forma élfica novamente, e penso em tocá-la, porém, agora ela é uma elfa em chamas, e está intocável, totalmente protegida contra minhas investidas.

Sempre me chamaram de louco.

Eu corro e a abraço.

São dois minutos até que as chamas quebrem a minha proteção arcana, a proteção que construí com meu próprio espírito, serão dois minutos... Dois minutos e me perderei para sempre em meio às chamas desse ser maravilhoso que tanto me encanta.


Ele é louco, louco eu sei,

Tanto faz, tanto é...

Quero-te bobo, serás meu rei,

Serás meu, serás meu...

E isso é só o que eu sei,


Ele é louco, veio e me abraçou.

Conseguiu resistir às minhas chamas e está aqui, em meio ao meu corpo, perdendo o próprio espírito, para me abraçar.

Será que ele é digno? Será que ele é capaz de resistir à minha sedução flamejante? Se o for, será meu, meu eternamente.

Esperarei os dois minutos, esperarei o tempo necessário para um espírito humano se consumir em meio às chamas etéreas, e verei se ele realmente se perderá. Verei se ele realmente quer me ter e ser meu... Será que a coragem de um simples mago humano é suficiente para conquistar o coração de uma dragoa?


Ela não conhece as dimensões,

O coração também não é sabedor,

São inúmeras as coisas realizadas,

Milhares de atos, únicas razões,

As que se tem em meio ao amor...


Sei que morrerei em breve... Tenho ainda mais vinte segundos, vinte segundos antes de perder todo o meu espírito para as chamas de minha amada draconiana...

É bom amar.

É bom morrer amando.

Morrerei mirando esses belos olhos, os olhos amendoados de elfa flamejante, que me seduziram e que agora me sugam a vida... Uma draconiana em forma de elfa... Uma elfa que drena a vida.

Tudo é um impasse.

Tudo é tão ridículo.

Eu respiro minha última lufada de ar, e caio... Minha última visão: Olhos amendoados.

Ele é bravo,

Bravo é o seu espírito,

Seu corpo está queimado,

Seu espírito está descarnado,

Mas eu posso trazê-lo,

Eu posso fazê-lo ter sentido.


Ele resistiu... Sim ele resistiu.

Demorou-se dois minutos, demorou-se o que precisava demorar.

Ele nem me conhece, ele nunca viu alguém parecido comigo, e no entanto soube me conquistar... Ele sabe o que precisa para conquistar um dragão, ele sabe o que precisa para conquistar o respeito e a admiração de alguém da minha espécie.

Ele precisou morrer.

Todos precisam morrer um dia.

Todos precisam, mas os que morrem na presença de um dragão, num embate honrado com este não sofrem com a morte, e tornam-se merecedores do maior dom que um dragão pode oferecer: A ressurreição.

No meu caso ela é um beijo.

Um sutil e suave beijo, um beijo de dragoa...


Eu não consigo entender,

Ninguém pode me explicar,

Estava às portas do descanso,

Minhas entranhas já não sofriam com o descaso,

O vento era morno, manso...

Mas algo me trouxe do ocaso.


Eu desperto e novamente contemplo os mesmos olhos que vi antes de morrer pela primeira vez.

Me descubro renovado e com energias que nunca experimentei antes a percorrer pelo meu corpo, ela me olha com seu corpo de elfa, e sorri. Eu a beijo novamente, e nos abraçamos. Ela começa a se despir, tirando a túnica verde-folha que veste lentamente, é uma maravilha todo esse corpo, todas essas curvas, me sinto como se visse a própria Afrodite em minha frente.


Caralho, eu realmente preciso parar de sonhar!-

- Fernando, já está na hora de ir trabalhar, você não vai levantar não menino?

Eu me rendo, e levanto da cama, minha mãe está chamando.


Sonhe garoto...

Sonhe comigo, sonhos marotos,

Deixe-me fazer-te homem, sei o que quer,

Deixe-me fazer-te homem,

Sou perfeita, sou mulher.

Imagem retirada do Google Images

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Sábado, Julho 04, 2009

M-Art




















Quero saber o que me dás!
Quero compreender o que tens,
Quero entender porque os agrupa,
Quero saber porque os culpa,
Porque os faz cair a teus pés,
Porque os deixa tão viciados,
Nessa tua viagem de convés!

Diz-me o que tens,
Faz-me ser teu por um dia,
Ser teu apenas um dia,
É um sonho antigo, uma vontade...
Uma pequena vez,
Ser teu em demasia...

Faça-me viajar em teus braços,
Faça-me correr pelos teus campos,
Quero-te apenas uma vez,
Uma tragada, um baforejo,
Teu cheiro em minha tez,
Teu corpo e o meu...
Um só desejo,

Sou poeta, és planta
Dríade verde, ressecada em minhas mãos,
Diz-me o que fazes,
Quero ser teu uma vez ainda,
Quero mostrar-te quem manda,
Tanto qui´nda
Viajarei no paraíso...

Minha boca com a tua,
Meu corpo com o teu,
Tua composição, linda e nua,
Num apogeu,
Da fumaça à luz da lua...
0urn3

Dizem-te proibida,
Dizem te horrenda,
Mas quero que saiba,
Dama de uma vida,
Que usei-te agora,
E compus esta senda...

M-art...
They don´t care about us...
Velório na terça-feira,
Staples center,
Ingressos na internet,
E eu aqui, viajando em teu sabor!

Versos feitos sobre efeito.

Na imagem: Retalho de fumaça 01, Lucy da motta, 2008, Site Olhares

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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Notícia de Hoje: Melancolia


Estou sentado na cama, olho para ela, seu corpo nu se confunde com os lençóis e eu me encontro ali naquelas tetas, naquelas nádegas maravilhosas. Os cabelos sedosos e perfumados me seduzem de uma forma que não sei explicar. Meu Deus! Que Mulher! Consegue permanecer assim mesmo após ter me dado tanto trabalho na cama, ela é perfeita e eu tenho tudo que quero!

Erro cruel.

Eu nunca tive tudo que quis.

Acontece que as vezes, eu me deixo encantar com alguma coisa, me deixo levar pelo entusiasmo de um momento, e vivo como se só aquilo me importasse, como se só aquilo fosse realmente o ápice, mas o que me dói na realidade, não é essa capacidade de me apegar e me desfazer tão rápido das minhas relações, o que me dói é ter tido tantas relações quanto possível, e nunca conseguir me encontrar em nenhuma delas.

Essa garota de agora, a que está comigo na cama enquanto escrevo isto, é perfeita, me faz sonhar com tudo o que é possível para um casal, e eu fico maravilhado com sua capacidade de dizer que me ama, sem nunca ter me visto uma vez antes. Eu a quero, quero transformá-la em meu amor, quero dizer que a amo também, mas eu não consigo, eu sou um grande filho da puta, eu não consigo articular as palavras, e parece que elas engasgam em meu peito, eu me sinto perdido e paro de falar por um tempo, ela me olha, sorri e começa a me acariciar. Eu me levanto, pau em riste, e fazemos amor mais uma vez. Mais uma vez o sexo é maravilhoso, é intrigante e excepcional, tudo tão perfeito, e a garota tem só 19 anos!

19 anos! Dezenove anos! Como pode? Essa garota poderia ser uma puta de esquina não? Caralho, eu não queria pensar nisso, e me sinto um desgraçado por pensar que ela poderia ter dado o que eu acabei de receber a outro cara. Ela poderia ser uma ninfomaníaca, ou quem sabe, apenas uma garota que leu os contos de Sade. São inúmeras possibilidades.

Eu tenho medo.

É um fato, eu tenho medo de perdê-la. Eu descobri isso quando após ter o seu terceiro conjunto de orgasmos, ela levantou-se para tomar banho. Por Deus! Como poderia ter me esquecido disso? É claro que ela vai precisar tomar banho, é claro que ela vai precisar sair deste quarto de motel, é claro que ela vai querer voltar à sua própria vida. E eu vou ter que voltar à minha, eu vou ter que pegar o ônibus todo dia, vou ter que ver o mesmo motorista, vou ter que viajar em pé por uma hora ou duas, e depois quem sabe, ainda precisar pegar o metrô. Ela vai voltar a viver alheia à sociedade, vai ficar enfurnada naquela lojinha de lãs e linhas de costura, e eu vou voltar àquela redação maldita, aquele lugar apertado onde ganho meu mísero salário, que agora se esvai neste quarto de motel onde as horas são cobradas a peso de ouro. Raios! Porque eu fui inventar de impressionar a guria? Que diabos, eu sou um grande filho da puta!

Coragem.

Finalmente eu tomo coragem para dizer o que meu âmago rejeita, finalmente eu tomo coragem para enfrentá-la e dizer as tais duas palavras. Elas ficam na minha garganta perdidas por alguns segundos, eu estou aflito, suor escorrendo pelo rosto, minha boca salivando, mas abro a mandíbula e esboço o começo do fim de minha vida de solteiro:

- E... E... - De repente eu me descobri gago! - Eu... Eu te... Eu te amo! - E digo isso suado, com a boca cheia de saliva o corpo tremendo, e tudo se passando em flashes, e pior ainda... Antes de dizer duas palavras, digo-lhe três!

Ela me olha, eu fico pasmo com cara de tonto, querendo saber como consegui proferir tais palavras, e percebo que ela sorriu. Sim, ela sorriu... Olhou-me com a carinha de anjo que tem e riu um riso calmo, um riso de menina mimada, que mal sabe o que quer.

- Eu poderia dizer infinitas coisas agora rapaz. Poderia dizer que te amo, poderia pular em teus braços e fazer amor novamente, poderia simplesmente me abster de falar, ou ficar te olhando e sorrindo como estou agora. Mas o que você prefere que eu diga? O que sua alma espera? - A sua serenidade ao falar é quase tão bela quanto seu rosto e seus belos olhos castanhos.

Eu a olho intrigado, essa garota realmente é mais inteligente do que as convencionais... Ela satisfaz o meu intelecto, porém eu não satisfaço o dela, eu sou um idiota, e eu a amo. Só existe uma coisa pior que odiar uma mulher, e é amar uma. Raios! Como posso ter me perdido assim? Eu havia jurado uma vez nunca dizer nada a alguém que não fosse verdade, no entanto, eu disse uma verdade a ela, que nem eu sabia se era verdade para mim. E agora? Como eu encararia aqueles belos olhos quando os encontrasse numa possível próxima vez? Droga! Eu sou um grande filho da puta!

Eu fiquei pensando por quanto tempo? Não sei, mas ela já está vestida, e parece que me olha com uma cara de pena. Em meu cérebro as suas últimas palavras reverberam: “O que sua alma espera?”... “O que sua alma espera?”. Eu sou um idiota mesmo.

- Eu também te amo seu bobo!

- Hã?

A confusão de pensamentos foi tão grande que eu fiquei sem ação por mais uns minutos até conseguir retomar a fala:

- Você me ama? Você me ama!?

- Sim seu bobo! Te amo e não sei o seu nome! Te amo e não sei o que você faz... Te amo e não sei a sua idade, no entanto você sabe a minha não é? Porque não partilha os teus segredos comigo?

- Achei que você não se interessasse por mim... Achei que você estivesse apenas se divertindo...

Ela me olha e esboça um sorriso apaixonado.

- Meu nome é Tobias, tenho 26 anos, sou Jornalista...

- Prazer Tobias, sou Aline, tenho 19 anos, curso Psicologia, e trabalho naquela lojinha de lãs e linhas de costura no centro da cidade.

Mais um sorriso apaixonado, só que desta vez ele parte de mim. Eu a olho com minha cara de dois de paus, e a beijo lascivamente. Saímos dali e vamos para minha casa. Mais uma noite de amor.


* * *

Dois anos se passaram desde aquele dia, estou casado e feliz, nada me falta, pelo menos em termos. Eu nunca tive tudo que quis mesmo.

Chego na redação e penso nela.

Ela estava em nossa casa com Clarissa, nossa filhinha... A esta hora, certamente deveria estar se levantando, preparando o leite, lavando a louça... Ah meu Deus! Como eu a amo...

Mas ainda me falta algo. Não sei o que, mas me falta algo.

Pego o notebook, começo a digitar um texto:

Melancolia.

O que pode-se dizer à respeito disto? Como um homem que tem tudo pode ainda querer mais amor? Como alguém que está casado por dois anos, deixa o amor esfriar assim?

Melancolia, eu ainda preciso achar alguém...”

Eu desligo o notebook, e saio... Tem alguém me esperando na próxima lojinha de lãs e linhas de costura que eu encontrar pelo caminho.

É... Eu sou um grande filho da puta.


Imagem: O Rosto da Melancolia, Ricardo Fernando Silva, 2006, Site Olhares

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